Ansiedade: Um excesso de futuro

Imagine uma floresta. Agora imagine um animal nessa floresta. Imagine-o num momento do seu dia. O que está a fazer, de que forma o faz e o que sente. Consegue imaginá-lo preocupado com o tempo? A questionar-se que horas são? Que dia é hoje? Os animais trazem-nos grandes lições. Que horas são para eles teria uma resposta óbvia: é “agora”, não poderia ser outra coisa que não agora. Eles não constroem tempo, mas vivem-no. Nós, humanos, deixamos de viver o “agora”, utilizando-o para relembrar um tempo que passou ou para nos servirmos dele como meio para alcançar um determinado momento futuro, que só existe na mente humana, e nunca na actualidade. O momento presente é tudo o que alguma vez teremos. Não me interprete mal, não digo que não devemos ter planos e objetivos para o futuro. Eles importam, mas só importam se soubermos viver “agora”  o processo que nos levará lá, ao invés de nos sentirmos presos a medos do que virá, ou de não conseguir atingir o que se quer. A ansiedade existe quando criamos tempo. Quando vivemos no futuro, que não existe “agora”. O ideal seria conseguir fazer curtas visitas ao passado e ao “futuro" quando precisássemos de lidar com aspetos práticos da nossa vida. Mas isto é-nos muito difícil.
A ansiedade é dos problemas mais comuns. Existe quando a pessoa é interpelada por auto-avaliações negativas. É geralmente resposta a uma ameaça vaga. Pode não ter muita consciência do processo que gera a ansiedade mas sentirá preocupação, insegurança, sentimentos de inferioridade, confusão, desorientação, falta de concentração, indecisão, falta de memória, etc. É importante identificar, compreender e trabalhar a nossa ansiedade.

Exercício 

Indução - para sentir o “agora”
Coloque-se numa posição confortável, feche os olhos, respire fundo por uns momentos e relaxe. Leve o tempo que precisar este
exercício. Faça-o no ritmo que lhe for confortável. Ao longo do exercício, concentre-se na localização do seu corpo no espaço. Vá sentindo e tomando consciência do espaço ocupado por cada parte dele. Sinta também a densidade, o peso, o volume do espaço que o seu corpo ocupa. Comece por pensar na localização da sua cabeça, descendo lentamente. Foque a atenção no couro cabeludo, depois no nariz, orelhas, e assim sucessivamente, descendo até à planta dos pés. Depois tome consciência da área que rodeia o seu corpo e o espaço que ocupa. Quando conseguir sentir essa área à volta do corpo, tome consciência da área que a sala onde está ocupa no espaço. Sinta o volume que ela preenche. Experimente fazer este exercício diariamente. Se meditar, aproveite-o como o primeiro passo da sua meditação. 

Sugestão

Repare na questão: Já alguma vez fez ou sentiu alguma coisa fora do “agora”?

 

Carolina Trindade, Psicóloga Clínica

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